Imigrante. Do latim immigrans.antis significa “pessoa que habita e possui residência fixa (legal ou ilegal) num país estrangeiro.”. Ao longo da história da humanidade, até mesmo para sua expansão a imigração foi extremamente necessária, entretanto, na atual circunstância essa palavra vem carregada de dor, sofrimento entre as pessoas oriundas de países em guerra e situação de risco. A vocês, imigrantes, nosso apoio!

Entretanto, pouco ouvimos referirem-se, aquelas pessoas que sonharam, planejaram e concretizaram o sonho de morar em outro país, por livre espontânea vontade, como imigrantes, a elas adjetivamos como aventureiras, corajosas, pessoas de sucesso, sonhadoras e etc..

Seja por sobrevivência, desejo, vontade, aventura, a trabalho, seja o motivo que lhe couber, imigrar é sempre um desafio que demanda uma exigência emocional profunda apesar do glamour que possa a principio aparentar.

Podemos ler os melhores guias, blogs, assistir os Youtubers mais completos, estudar o idioma, visitar algumas vezes, ainda assim não será o suficiente para lidar com o cotidiano que aguarda ao residir.

A GRANDE MUDANÇA

Os primeiros dias são de encantamento misturado a tensão, os dias se passam e tudo ainda é novo, até mesmo o som do vento que bate na janela surpreendentemente nos encanta.

No entanto, os dias, as semanas, meses passam…. Sabe aquele vazio que fica no canto da sala quando  aquele móvel é retirado, estava ali a tanto tempo que já fazia parte da história da casa?

Pois é, esse vazio existencial, começa a aparecer, não pense que a aparição do encantamento com novo irá suprir ou preencher a falta do que deixou, apesar de ter sido a melhor escolha que você tenha feito na vida. Tristeza, nostalgia é completamente esperando, não faz da sua escolha menos importante.

Logo, recorremos aos amigos, familiares para compartilhar a saudade que bate, ou até mesmo um desejo de comer aquele arroz com feijão ou de ir no supermercado do bairro que tinha tudo.

Todavia, ao compartilhar o que sente, lhe dizem que você é privilegiado e vem as seguintes frases:

_ Queria eu chorar a beira do Rio Senna

_ Quem dera eu estar no seu lugar, não estaria chorando, triste, estaria nos pubs londrinos

_ O que te falta é sair de casa, se fosse eu estaria nos jogos de baseball

_ Você está reclamando de barriga cheia, estaria nos museus.

E assim vai… pois é, algumas vezes pode ser mesmo uma situação privilegiada, mas não é isenta de dificuldades, emoções, adaptações, e, não deixa de ser um processo imigratório.

IMIGRANDO

Entendo que imigrar é o movimento saudável de transitar entre as contradições que se engendram ao nos relacionarmos com a diversidade que é viver em sociedade.

Gosto do termo contemporâneo “Corpo Politico” seja onde quer que formos, mesmo quando não usamos a linguagem para nos expressarmos, nosso corpo carrega em si nossa própria história, nosso modo brasileiro de andar, se vestir, gestos, nosso modo de viver a vida, latino. Ao nos relacionarmos com outras pessoas, culturas, instituições levamos para essas relações nossa história individual, familiar, social e cultural e assim o outro também as suas, um compartilhar.

Dependendo da intensidade da vivencia, neste movimento nos fundimos e nos transformamos, recebendo e doando uns dos outros.

Imigrar é movimento emocional, cognitivo, cultural, econômico, laboral, é desprender-se e se jogar no novo com toda a insegurança que isso pode lhe causar.

Isto posto, imigramos quando nos dispomos a nos movermos pela vida, desde o momento que o sonho foi concebido, todo passo é importante, a construção a concretização. Residir inicia a segunda etapa do imigra-se, talvez a parte mais difícil. Não podemos deixar de nos lembrarmos que imigrar é movimento, estamos em processo constantemente de imigração.

IMIGRANDO SAUDAVELMENTE

– FLEXIBILIDADE – planeje, mas esteja aberto (a) para vivenciar coisas positivas de situações inesperadas.

– OPEN MIND – Julgar os hábitos culturais só vai te distanciar de sua nova realidade. Entenda, compreenda, pergunte, se aproprie da cultura, seja gentil com os outros e com você mesmo (a), respeite o seu limite nem tudo que é bom para os outros será para você, já dizia a mãe de todo mundo.

– ROTINA – Estabeleça uma rotina diária, semanal, pode lhe trazer mais segurança, mas não esqueça da flexibilidade.

– ISOLAMENTO – Os primeiros 6 meses são críticos, mas não se isole dos antigos e novos amigos e familiares que ficaram no Brasil. Ligue, converse, mas viva a sua nova vida, saia e divirta-se, porém, dar conta da solidão também é algo muito importante para sua saúde mental.

– ATIVIDADE FÍSICA E ALIMENTAÇÃO – Não será nosso famoso arroz com feijão e bife acebolado, ou aquela feijoada, tipicamente com sabor de brasilidade. Porém, nosso segundo cérebro é nosso intestino é nele que produzimos grande parte dos hormônios do humor, portanto, alimentação combinada a atividade física, extremamente importante, pelo menos pode evitar muitas sensações emocionais indesejadas. Bora, prevenir!

– PSICOTERAPIA – Sim, psicoterapia pode lhe ajudar nesse momento de transição da vida, de adaptação e lidar com sentimentos relacionados ao seu novo modo de viver a vida. Ter um espaço onde alguém entende o que você passa, te acolhe, sem te julgar, pode  ajudar a passar por esse processo com menos dificuldades.

A psicoterapia na perspectiva da psicologia histórico-cultural tem por objetivo a integração cognitivo-afetivo, ou seja, te ajuda a usar e construir instrumentos psíquicos possibilitando uma autonomia na vida cotidiana perpassando pelo autoconhecimento e autocontrole da conduta, sabendo quando e como usar seus recursos psíquicos.

Para concluir, imigrar é movimento, seja para outro país ou até mesmo para dentro de si, o desconhecido lhe espera, esteja preparado (a) para vivenciar cada experiência em suas máximas potencialidades, de uma maneira mais saudável possível.

Fonte: https://www.vittude.com/blog/fala-psico/quando-me-tornei-imigrante/

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