Que intercambista nunca sonhou acordado com o que as experiências do intercâmbio poderiam lhe proporcionar? Mudar de país, conhecer gente nova, ganhar em euro, guardar dinheiro, viajar e conhecer o restante do mundo, e por aí vai… E eu lhe digo, sonhar é uma das melhores coisas que há de bom nessa vida, e que nos impulsiona para vivê-la.

Pesquisar, planejar, se organizar são coisas que nos movem em busca dos nossos objetivos, e se nós não fizermos isso por nós, quem fará? Tudo que nos proporciona prazer serve também como catalizador das nossas energias, ou seja, quando sonhar e planejar o intercâmbio te proporciona prazer isso também será sua energia para fazer cada vez mais, te mantendo vivo para colocar os projetos do papel em ação. No entanto, e sim, sempre haverá um “no entanto”, alguns projetos não se realizam exatamente como os sonhados planos A, B, C ou D que planejamos, então a propensão para a frustração é muito grande.

Dessa forma, pensando na relação Expectativa X Realidade direcionada ao intercâmbio, em 1954 Kalervo Oberg criou a Curva de Adaptação Cultural, mostrando como o processo de intercâmbio acontece (emocionalmente falando) e nos ajudando a entender um pouco mais sobre nosso próprio processo e as frustrações que poderemos viver, que estamos vivendo ou que viveremos nessa jornada chamada intercâmbio. Desde sua criação a Curva também passou por adaptações e com o empenho de diversos outros autores hoje temos vários modelos de curvas nos auxiliando a pensar esse processo de adaptação e lidar melhor com as expectativas frustradas.

Porém, em geral as curvas possuem 3 fases: LUA DE MEL, CHOQUE CULTURAL e NOVAS ESTRATÉGIAS. A primeira fase acontece logo que o intercambista chega no país. Chama-se Lua de Mel porque em sua maioria os intercambistas estão no primeiro amor com o país e a realidade de viver fora de casa ainda não chegou, estando associada com um casal recém-casados aproveitando a lua de mel. Contudo, quando esse casal volta para casa, o dia-a-dia mostrará as dificuldades; o “choque cultural” acontecerá e o mesmo tende a acontecer com o intercambista. Em algum momento as dificuldades de estar fora de sua zona de conforto aparecerá e será nessa hora que a frustração diante da realidade poderá acontecer. Diante dessa situação o intercambista tem dois caminhos: seguir em frente com o intercâmbio ou voltar ao seu país de origem. Porém, esses dois caminhos não se tratam exatamente de uma escolha racional. Muitos processos psíquicos estão em jogo, processos esses não conhecidos conscientemente pelo intercambista; processos esses relacionados com sua história de vida, suas habilidades, sua capacidade de enfrentamento, etc. Seguir em frente com o intercâmbio nem sempre significa superar todas as dificuldades assim como voltar para o país de origem não significa falta de adaptação cultural. A Curva de Adaptação Cultural não mostra o que é o caminho do sucesso e o do fracasso, e nem poderia, pois isso se trata de um conceito individual e bastante abstrato, porém, ela nos mostra o quão importante é pensar sobre a vida de um intercambista, antes, durante e depois do intercâmbio.

Ela também não se esgota aqui, e nem esse texto na verdade (hahaha), muito ainda existe para se falar sobre Expectativas X Realidades dentro da caixinha do intercâmbio…e que caixinha grande é esse hein?!

Luana Franzini

Limerick, 17 de Julho de 2019

Texto referência: “Sua Majestade, o Intercambista: Intercâmbio como Tentativa de Retorno à uma Ilusão de Completude” de Thomás Gomes Gonçalves

2 comentários sobre “Expectativa X Realidade: Adaptação Cultural

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